A importância da PUERICULTURA

A puericultura consiste em consultas regulares ao pediatra, que tem como finalidade a supervisão do crescimento e desenvolvimento da criança, de uma forma global, com enfoque não só na prevenção de doenças, mas também na integração de práticas para a promoção da saúde física e mental como um todo.

A consulta pediátrica deve se constituir em uma relação de confiança e acolhimento entre o pediatra e a família, criando assim um ambiente onde a criança se sinta à vontade e ao mesmo tempo segura, assim como seus pais. Deve ser um momento de tirar dúvidas e também de criar laços.

O Ministério da Saúde recomenda um calendário mínimo para atendimento à criança:

* 1a. semana de vida
* 1 mês
* 2 meses
* 4 meses
* 6 meses
* 9 meses
* 12 meses
* 18 meses
* 24 meses
* após 2 anos, anualmente.

Lembrando que na rede privada, pode-se ter um número maior de consultas, inclusive com consultas mensais no primeiro ano de vida.

Mas o que vem ocorrendo de uns anos pra cá é que essas consultas pediátricas têm sido deixadas de lado, principalmente após o primeiro ano de vida da criança e muitos pais acabam procurando os serviços de pronto atendimento quando acontece qualquer intercorrência. Acabam não optando por procurar seu pediatra assistente, seja por dificuldade de marcar uma consulta, seja porque querem uma resposta imediata ao que está acontecendo.


O serviço de pronto socorro, que era (e é) apenas para atender emergências está sendo utilizado como recurso para consultas pediátricas comuns. E essa nova e perigosa “cultura do pronto-socorro” contaminou todas as camadas sociais, tanto as menos favorecidas como até as de melhor nível sócio-econômico.

Hoje é comum o plantonista atender tosses de 2 semanas de duração, asma fora de crise, resfriados e faringites comuns. E se a criança não melhora a família volta ao PS (o mesmo ou outro) mas sempre atendido por um plantonista diferente.

Qual o problema? Mesmo sendo um excelente médico, o plantonista nunca viu, não conhece as características da criança e vai ter que receitar para esse paciente, o qual provavelmente nunca mais verá.

Qual a explicação para essa “cultura do PS”? 

Em primeiro lugar, provavelmente um certo comodismo da sociedade atual que prefere ir a um lugar que atende as 24 horas do dia. Mas essa comodidade, não raro, custa caro, com espera prolongada na sala de espera.



Outros dizem que fica mais fácil para fazer exames de laboratório. Mas exatamente por essa facilidade e aliado ao fato do plantonista não conhecer o doente e não ter possibilidade de pedir retornos e contatos telefônicos, ocorre um exagero no pedido de exames e RX, nem sempre necessários. E aí mais tempo dispendido.



O pediatra que acompanha regularmente a criança é o clínico que pode dar uma orientação contínua e pedir os exames realmente indicados.



Então é preciso que haja uma reeducação da população com as seguinte orientações:



1) Tenha um pediatra de confiança e que seja “alcançável” na medida do possível e tenha seu telefone sempre em mãos;

2) Leve ao PS nas emergências verdadeiras como falta de ar, convulsão, febre altíssima, vômitos que não param…. e no caso em que o pediatra não pode ser encontrado. 



3) Assim que possível, comunique o ocorrido ao seu pediatra. Ele vai orientar a continuação do tratamento.



4) Nunca procure fazer tratamentos completos no PS, fazendo retornos frequentes com plantonistas diferentes. 


Seu pediatra deve ser consultado regularmente para que ele possa cuidar da saúde (não só da doença) de seu filho.


Dra. Daniele Marques Bastos
Pediatria e Puericultura
CRM 5272722-9

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